Diário de Notícias


Carga policial evita invasão de Alvalade

(às 02:40 de 2009-11-02)

Os adeptos furiosos com o quarto jogo consecutivo sem vencer pediram a demissão de Paulo Bento. Atiraram pedras à polícia, que respondeu com balas de borracha

A crise agudizou-se ainda mais em Alvalade, depois de ontem o Sporting ter somado, frente ao Marítimo, o quarto jogo sem vencer em partidas da Liga. Com o apito final do árbitro Cosme Machado, viram--se de imediato tarjas com fundo negro que diziam "RUA", que misturados com os fortes assobios faziam pressupor que a noite iria ser tudo menos calma em Alvalade.

No momento em que os jogadores abandonavam o relvado, muitos adeptos deixaram as bancadas para protestar na parte de fora do recinto. O superintendente Costa Ramos, que comandou a força da PSP no local, revelou que houve mesmo uma "tentativa de invasão" no hall principal do recinto, protagonizado por cerca de 20 adeptos. "Foram impedidos de entrar", acrescentou, tendo para isso os agentes utilizado bastões para demover o grupo. Antes já outros adeptos haviam sido "repelidos" do piso -1 do estádio.

Costa Ramos revelou ainda que, após a tentativa de invasão ao hall principal de Alvalade, os agentes foram obrigados a utilizar tiros de shotgun com balas de borracha "para dispersar a multidão" - cerca de 200 simpatizantes -, que entretanto se concentrara no local e que começara a arremessar pedras e até baias de segurança contra a polícia.

O superintendente da PSP acrescentou ainda que houve a necessidade de pedir reforço policial para apoiar os 140 agentes inicialmente destacados para o local, tendo-se-lhes juntado mais cinco equipas de intervenção.

Jogadores protegidos

Enquanto no exterior do estádio a polícia lidava com os adeptos sportinguistas em fúria, futebolistas, equipa técnica e dirigentes mantiveram-se numa sala à espera que os ânimos acalmassem. Foi quase duas horas depois que, protegidos por um cordão policial, saíram do estádio.

No balanço da noite, muitas garrafas partidas, mas ninguém foi detido, nem se registaram feridos. À volta do recinto leonino foi possível ver garrafas partidas e muitos sinais da revolta dos adeptos sportinguistas. A crise está instalada, os pedidos de demissão do treinador Paulo Bento sucedem-se, adivinha-se mais contestação nos próximos dias. O regresso da equipa aos treinos, hoje na Academia, em Alcochete, promete ser muito problemática, à semelhança do que aconteceu recentemente.


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